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Rita GT apresenta tributo à mulher no Yorkshire Sculpture Park

Rádio Alto Minho

07 Março 2021, 9:20

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Rita GT, artista natural do Porto e que atualmente trabalha no município de Viana do Castelo, vai apresentar, no Dia da Mulher, 8 de março, o projeto "Unearthing". A iniciativa artística elaborada para o Yorkshire Sculpture Park tem a sua estreia marcada no canal de Youtube do espaço cultural britânico.

Unearthing é um projeto audiovisual de Rita GT, em que a mesma pretende destacar o papel da mulher, as dificuldades que muitas tiveram que ultrapassar por causa de trabalhos forçados durante a época colonial e da emigração e o papel da música tradicional nas suas vidas. O vídeo conta com a participação e desenvolvimento musical das Cantadeiras do Vale do Neiva e coreografias das bailarinas Piny e Isa Santos, sendo que o palco principal para a narrativa relacionada com o colonialismo foi a antiga Fábrica de Louça de Viana do Castelo. Em declarações à Rádio Alto Minho, Rita GT contou mais detalhes sobre as principais caraterísticas da performance ilustrativa das mulheres cantadeiras. “O Unearthing é um trabalho colaborativo e lá, com a Piny, Isa e com as Cantadeiras do Vale do Neiva, elaboramos um tributo à mulher, sendo que, através das cantigas e da cerâmica, trazemos essa mesma energia para a chamada de atenção no que toca ao percurso de muitas mulheres, nomeadamente as que tiveram uma vida condicionada.”

Devido ao facto de as Cantadeiras do Vale do Neiva e as diversas apresentações de cantigas tradicionais remeterem para o legado das mulheres que trabalhavam para o campo e que muitas vezes eram exploradas a partir de trabalhos forçados e de outro tipo de abusos, como a violência doméstica, este grupo foi escolhido para contar, a partir do seu vocalismo, as ideias de Rita GT, sendo que, para a artista portuense, “a música e as cantigas eram ferramentas para exorcizar toda a violência e o sofrimento e as Cantadeiras do Vale do Neiva trabalham e honram isso mesmo e trazem essa mesma tradição. Contam a história de um passado ainda muito presente”. Aqui, também entra na equação o cenário da Fábrica de Louça de Viana do Castelo tendo em conta que o antigo negócio vianense representa “um auge do que foi a produção da cerâmica no município. Além disso, as peças e os produtos eram pintados por mulheres e, obviamente, acabavam por ser trabalhos mal pagos. Não nos podemos esquecer que elas tinham quatro trabalhos na sua vida, como cuidar da casa, dos filhos, dos maridos e da sua profissão. Isto é um acumular de trabalhos, o que se torna excessivo para nós e a própria escolha da fábrica tem a ver com esse tributo às também mulheres ligadas ao mundo fabril”.

Intitulado de Unearthing, a iniciativa de Rita GT, para português, tem a tradução de “Desenterrar”, o que representa uma metáfora relacionada com o barro, com o campo e com a própria terra, ou seja, a personificação do início de tudo, sendo que, para Rita GT, essa foi uma deixa que encontrou para contar histórias no feminino, neste caso ligadas à exploração da mulher em algumas épocas passadas como também na atualidade. Este mesmo projeto enquadra-se em pleno século XXI tendo em conta “o número de femicídios, violência contra as mulheres, até porque muitas não têm coragem ou segurança necessária para contar o que lhes está acontecer”, tornando a iniciativa artística uma tomada de posição e uma chamada de atenção para o tema da mulher.

O projeto que invoca o papel da mulher durante a época do colonialismo começou a ter os seus alicerces em 2018 através de uma residência artística no Yorkshire Sculpture Park, sendo que, devido à pandemia da Covid-19, o mesmo teve que ser adaptado tendo em conta as circunstâncias, explica Rita GT, autora da iniciativa artística e audiovisual. “Tinha pensado fazer um perfomance no local, mas tivemos que ajustar as nossas ideias, mas considero que isso foi uma mais valia, tendo a transmissão  de Viana do Castelo para o mundo”. Outra mudança passou pelo facto de ter sido pretendido transmitir a iniciativa em direto, contudo, isso não vai acontecer tendo em conta as irregularidades da Internet e o mesmo foi filmado uns dias antes.

A apresentação e o desenvolvimento de “Unearthing” encontra-se incluído num ciclo do Yorkshire Sculpture Park, programa esse que gira em torno da arte em nome feminino. Esta iniciativa tem o condão de despertar o questionamento sobre “as quotas necessárias para preencher as programações culturais a nível mundial, em que essa vertente é dominada pelos homens em detrimento das mulheres. Assim, este ciclo pretende destacar e enaltecer as profissionais do género feminino”.

Rita GT viveu em diversos países, como o Brasil e a Angola, devido às suas próprias ideias criativas em que a mesma afirma que sempre procurou estar em contacto com os locais que sofreram o impacto do colonialismo e da própria época dos Descobrimentos, ou seja, “de ver o outro lado da História colonial, tendo em conta que queria ultrapassar as versões racistas e deturpadas. Tento transportar isso para o meu próprio trabalho e processo criativo”. A artista é natural do distrito portuense e cresceu em Viana do Castelo. Mais tarde, regressou para estudar na Faculdade de Belas Artes sendo que o seu percurso profissional passou por locais como Lisboa, Açores, Londres, Luanda, entre outros destinos, e, na Nigéria, foi a primeira portuguesa a expor na 1ª Bienal de Lagos. Este seu último projeto desenvolvido, o “Unearthing”  pode ser considerado como sendo uma continuação do seu trabalho criativo e artístico, um processo laboral que destaca os direitos humanos, a mulher, o colonialismo e a cerâmica, esta última representada com a Fábrica de Louça de Viana do Castelo e com performances demonstrativas das peças de cerâmica.

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