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Conhecem Manuel Miranda? Foi um herói natural de Darque

Luís Sottomaior Braga

07 Junho 2021, 9:00

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O Público incluiu, numa das suas edições do fim de semana, um texto incrível de Patrícia Carvalho (com várias colaborações, que não há espaço aqui de nomear mas que, podem e devem, ser vistas no link) com 68 histórias de portugueses que estiveram prisioneiros e, muitos deles, morreram em campos de concentração nazis durante a segunda guerra mundial.

Quem ler essas biografias encontra nomes de campos que ainda hoje associamos ao mais intenso terror e violação dos direitos humanos: Dachau, Buchenwald, Bergen Belsen, Mauthausen e, claro, Auschwitz.

E que têm acontecimentos tão horrorosos, ocorridos há 80 ou 75 anos, no centro da Europa, a ver com o Alto Minho de hoje?

Em primeiro lugar, a percentagem elevada de minhotos que se incluem na lista. Com os transmontanos são claramente a maioria. Há, por exemplo, naturais de Braga, Famalicão, Vila Verde, Terras de Bouro, Guimarães, no distrito de Braga. E, no distrito de Viana do Castelo, naturais de Caminha, Monção, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez e Viana do Castelo.

Em segundo lugar, há na lista um nome de Viana do castelo: Manuel Miranda, natural de Darque, nascido em 1923 e morto em 1944 (21 anos) por tuberculose em Sachsenhausen (campo nos arredores de Berlim).

Emigrante em França, combateu com a resistência francesa contra os Nazis. Foi preso pela Gestapo e acabou por ser o prisioneiro 58560 do campo onde faleceu e onde foi sujeito a trabalho escravo. Mesmo preso num campo que ficou conhecido por ser de regime muito duro, continuou a resistir e fazia parte de uma organização clandestina que funcionava no seu interior.

Morreu em 1944, 1 ano antes do fim da guerra. A França atribuiu-lhe o estatuto póstumo de deportado resistente e recebeu a distinção de “Morto pela França”.

A história comoveu-me também porque, tendo sido professor em Darque, durante 7 anos, fez-me pensar no seu valor pedagógico, como biografia com forte carga simbólica. Um jovem, que resiste, nas piores condições possíveis.

Num país, em que ainda há ruas com o nome de Salazar, que teve uma posição demasiado colaborante com as atrocidades nazis, existiu um herói, nascido em Darque, que lutou contra isso e foi morto jovem nessa luta.

Seria uma excelente história para contar aos meus alunos nessa escola e bem necessários são aí exemplos de coragem, generosidade e luta.

Em terceiro lugar, muitos dos portugueses deportados para os campos de concentração foram-no, simplesmente, porque eram denunciados por serem estrangeiros “indesejáveis”, o que nos deve fazer pensar no presente.

Espero que os vários autarcas de concelhos do Minho com naturais seus na lista reparem no valor simbólico da vida e sacrifício destas pessoas, cujos nomes se tornam agora mais conhecidos.

Merecem homenagem na toponímia e o estatuto de cidadãos de mérito ou outro equivalente nos seus concelhos.

No caso de Darque, a história de Manuel Miranda ainda pode ser enriquecida no seu simbolismo porque Sachsenhausen foi um dos campos, entre vários outros, onde os Nazis realizaram o genocídio de ciganos (porajmos), que promoveram em paralelo ao dos judeus, com uma intensidade e perseguição equivalente.

Essa vizinhança no martírio tem forte simbolismo, no caso concreto, e deve ser lembrada com intensidade porque é útil para iluminar os nossos debates do presente que temos de ter com tanta gente que se já se esqueceu do que nunca se pode repetir.

1 – Link para o artigo do Público Portugueses nos campos de concentração nazis: nomes e rostos que faltava conhecer

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